OBSERVATÓRIO DE DADOS · 1 926 QUESTIONÁRIOS
Direção Pedagógica · Publicado a 13 de agosto de 2026 · Última revisão: 13 de agosto de 2026
Em programas com públicos completamente diferentes, avaliados por instrumentos distintos, o indicador mais bem classificado é sempre o mesmo: a relação com quem ensina. E o pior nunca é a pedagogia, é o equipamento ou a calibração. Este texto cruza 1 926 questionários e onze intervenções para organizações, recolhidos em 2025, e mostra o que resulta desse cruzamento.
| Programa | Público | Questionários | Escala |
|---|---|---|---|
| Formação pedagógica inicial de formadores | Adultos em qualificação | 653 | Qualidade |
| Programa de alto rendimento escolar | Estudantes | 801 | Satisfação |
| Programa de inglês com certificação | Estudantes e adultos | 472 | Satisfação |
| Formação à medida para organizações | Empresas e entidades públicas | 11 intervenções, 160 pessoas | Satisfação |
Quadro · Os quatro conjuntos cruzados. A coluna da escala existe para que a advertência esteja também dentro da tabela.
Antes de qualquer leitura, uma advertência que este texto tem obrigação de fazer. As médias globais destes instrumentos não são comparáveis entre si. O primeiro usa uma escala de qualidade, de Insuficiente a Excelente. Os restantes usam uma escala de satisfação, de Muito insatisfeito a Muito satisfeito. Dizer que um programa é melhor do que outro porque tem média mais alta seria falso.
O que é legítimo comparar é a hierarquia interna de cada instrumento: que indicador ficou em primeiro, qual ficou em último, e se esses lugares se repetem. É essa a leitura que se segue.
Há ainda uma nota sobre a base. Só o primeiro publica denominador, 653 respostas em 790 conclusões. Os outros dois questionários estão apresentados como volume de respostas e não como taxa, porque o denominador não está apurado. Fica declarado.
| Programa | Indicador mais alto | Valor |
|---|---|---|
| Formação de formadores | Relacionamento dentro do grupo | 4,84 |
| Alto rendimento escolar | Disponibilidade para ajudar | 4,67 |
| Inglês com certificação | Disponibilidade para ajudar | 4,88 |
| Formação para organizações | Apoio da coordenação e cumprimento dos objetivos no máximo da escala | |
Quadro · Indicador mais alto por conjunto. Valores não comparáveis entre si por diferença de escala.
Quatro públicos que não têm nada em comum. Um adulto a qualificar-se para exercer a função formadora, um estudante a trabalhar o desempenho escolar, alguém a preparar uma certificação de língua, uma equipa de uma empresa municipal em formação sobre riscos psicossociais. Idades, motivações e formatos diferentes.
E o que fica em primeiro lugar é sempre a mesma família de indicadores: estar disponível, relacionar-se bem, sustentar o grupo.
No programa de inglês, quatro dos cinco parâmetros mais bem classificados dizem respeito à postura de quem forma: disponibilidade, relação com o grupo, pontualidade e assiduidade. O quinto é o domínio dos assuntos. No programa escolar, o topo é ocupado pela disponibilidade, pela linguagem utilizada e pela assiduidade. Na formação de formadores, pelo relacionamento dentro do grupo e pelo dinamismo.
A leitura não é sentimental, é operacional. Quem se forma reconhece competência técnica e dá-a por adquirida. O que distingue uma boa formação de uma formação suficiente, na perceção de quem a frequenta, é a qualidade da relação em sala.
| Programa | Indicador mais baixo | Natureza do desvio |
|---|---|---|
| Formação de formadores | Instalações e equipamentos, 3,60 | Espaço físico |
| Alto rendimento escolar | Horário, duração e meios audiovisuais | Organização e equipamento |
| Inglês com certificação | Qualidade dos meios audiovisuais, 4,75 | Equipamento |
| Formação para organizações | Uma turma avançada mal calibrada e uma sessão sem a versão adequada da ferramenta | Calibração e pré-requisito técnico |
Quadro · Indicador mais baixo por conjunto e natureza do desvio.
Em nenhum dos quatro o último lugar pertence a um indicador pedagógico. Não é o método, não é a competência de quem ensina, não é a utilidade dos conteúdos. É a sala, a projeção, o horário, os meios, e o alinhamento entre o nível da turma e o nível do grupo.
Na formação de formadores esse desvio é grande e localizado, com a análise por polo a situar o problema em três locais concretos. No programa de inglês o desvio é pequeníssimo, sete centésimas abaixo da média global, mas é o único parâmetro que sai da faixa em que os outros dezasseis se concentram. Numa distribuição tão comprimida, sete centésimas não são acidente estatístico. São o único sinal disponível.
Na formação para organizações, as duas intervenções que ficaram abaixo do esperado falharam por razões idênticas em natureza: um grupo com conhecimentos prévios que recebeu conteúdo desalinhado, e uma sessão em que a ferramenta não estava na versão necessária. Nenhuma por qualidade da formação em si.
O programa de inglês tem os dezassete parâmetros entre 4,75 e 4,88. Treze centésimas de amplitude total. Quinze deles caem numa faixa de cinco centésimas em torno da média. Quando quase tudo pontua no topo, o instrumento deixa de distinguir o que funciona muito bem daquilo que funciona apenas bem. Um resultado excelente transforma-se num problema de medição.
A consequência prática está tomada: a edição seguinte desse questionário passa a segmentar por modalidade de sessão e por módulo, e acrescenta perguntas abertas de diagnóstico. Sem isso, não é possível saber se o valor dos meios audiovisuais pesa sobre as sessões online, sobre as presenciais ou sobre ambas.
Três consequências, e as três já estão inscritas no planeamento.
Investir onde o sinal é convergente. Se quatro públicos independentes apontam o equipamento e a organização, o retorno percebido desse investimento está demonstrado por quatro vezes.
Proteger o que está no topo. A relação em sala é o ativo mais valorizado e o mais frágil, porque depende de pessoas concretas. Toda a bolsa formadora detém Certificado de Competências Pedagógicas, foi reforçada em 2025 com 25 novas pessoas, e a estabilidade dos grupos é critério de afetação, não consequência do acaso.
Melhorar o instrumento antes de melhorar o número. Uma média que sobe porque o questionário deixou de discriminar não é progresso. É ruído com aspeto de mérito.
Os valores provêm dos relatórios de avaliação da satisfação de 2025 e do primeiro semestre de 2026, e do balanço de atividade formativa do exercício, apurados sobre as respostas válidas de cada item, sem ponderação e sem exclusão de respostas. As médias globais não são comparáveis entre instrumentos por diferença de escala. Só o primeiro programa publica taxa de resposta. Data de apuramento: julho de 2026.
Como se lê um relatório destes está explicado na publicação de 6 de agosto. Os números completos da formação de formadores saíram a 11 de agosto. Todos os resultados ficam reunidos na página de Qualidade.
Como ler os números desta série
Os resultados provêm de instrumentos diferentes, com escalas diferentes, e não se comparam entre si por valor absoluto.
Escala de qualidade, usada na avaliação da formação pedagógica inicial de formadores. Cinco pontos: 1 Insuficiente, 2 Suficiente, 3 Bom, 4 Muito Bom, 5 Excelente.
Escala de satisfação, usada na avaliação dos programas dirigidos a estudantes e do curso de Técnico de Apoio à Vítima. Cinco pontos, de «Muito insatisfeito» a «Muito satisfeito».
Cada valor publicado indica a base sobre a qual foi apurado. As percentagens de «4 ou 5» correspondem à soma das duas classificações mais altas da escala respetiva, sobre a mesma base.
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